Encurtar os ciclos de venda: onde no processo se perde o tempo
Um ciclo de venda longo raramente é feito de longas ponderações. É feito sobretudo de tempo de espera – e esse nasce quase sempre do vosso lado, não do lado do cliente.
O essencial
- Meçam primeiro os tempos de espera entre os passos, não a duração total – é aí que está a maior parte.
- Cinco pontos custam tipicamente mais tempo, e três deles estão dentro da vossa casa.
- A medida mais eficaz é acordar, no fim de cada conversa, o passo seguinte com uma data.
- A pressão não encurta, alonga – produz evasão em vez de decisões.
Primeiro medir onde está o tempo
A duração total não diz nada sobre onde intervir. Só se torna útil quando o tempo entre cada passo fica visível.
| Troço | O que se mede | Quem espera |
|---|---|---|
| Do pedido ao primeiro contacto | horas a dias | vocês |
| Do primeiro contacto à primeira conversa | dias | ambos |
| Da primeira conversa à proposta | dias a semanas | vocês |
| Da proposta ao retorno | semanas | o cliente |
| Do retorno ao fecho | dias a semanas | ambos |
Com vinte processos fechados do último ano, este quadro chega para ver onde o tempo é de facto consumido. Na maioria dos casos, as três maiores rubricas não estão onde se espera.
Sabia que…?
A maior perda de tempo isolada está quase sempre entre a primeira conversa e a proposta – ou seja, inteiramente dentro da vossa casa. Entre a conversa e a proposta enviada passam muitas vezes uma a três semanas, preenchidas com alinhamentos internos e com a espera por um contributo.
O cliente não está inativo nesse período: recolhe propostas de comparação, fala internamente, e o interesse inicial perde urgência. Uma proposta que chega três dias depois da conversa encontra uma situação diferente da que chega ao fim de três semanas – mesmo sendo idêntica no conteúdo.
Os cinco pontos e o que atua em cada um
1. Reação ao pedido
Perde: horas a dias. Atua: confirmação imediata de receção com indicação de tempo, chamada de retorno no prazo de um dia útil, responsabilidade fixa com regra de substituição.
Esforço: 4 horas, uma única vez2. Marcação da reunião
Perde: 3 a 10 dias. Atua: duas propostas concretas de data logo no primeiro contacto, em vez da pergunta «quando lhe dá jeito?» – ou uma ligação para marcação.
Esforço: 1 hora3. Elaboração da proposta
Perde: 1 a 3 semanas. Atua: um modelo de proposta com blocos preparados, um prazo fixo de três dias úteis, e a recolha de todos os dados necessários já na conversa.
Esforço: 1 dia, uma única vez4. Fase de decisão do cliente
Perde: semanas. Atua: perguntar na conversa qual o percurso de decisão e acordar o passo seguinte com uma data – não fazer recontacto sem data marcada.
Esforço: nenhum, apenas uma pergunta5. Formalidades
Perde: dias a semanas. Atua: disponibilizar antecipadamente os documentos contratuais e as informações de privacidade, em vez de só depois do sim – assim correm em paralelo com a decisão.
Esforço: 2 horas, uma única vezA tal pergunta
A medida isolada mais eficaz não custa nada: no fim de cada conversa acorda-se o passo seguinte com uma data.
Não «depois dou notícias», mas: «Envio-lhe a proposta até quinta-feira. Dá-lhe jeito falarmos brevemente por telefone na terça?» Assim há um compromisso na agenda de ambos os lados – e ninguém precisa de fazer recontacto, porque o contacto seguinte já está marcado.
A tentativa de encurtar o ciclo com pressão – propostas com prazo, recontactos mais frequentes – produz com regularidade o efeito contrário. Quem se sente pressionado evade-se, e uma resposta clara transforma-se num «depois digo».
O que encurta de facto é o alívio: tirar ao cliente o trabalho que está entre ele e a decisão. O resumo interno que ele pode reencaminhar; a resposta à pergunta que o seu chefe vai fazer; os documentos contratuais já verificados. O ciclo encurta-se se assumirem trabalho, não se criarem pressão.
Ajuda-me a descobrir onde no nosso processo de venda se perde tempo. Os nossos últimos processos (por linha: data do pedido, data do primeiro contacto, data da primeira conversa, data da proposta, data do retorno, data do fecho ou da recusa): [colar tabela] Além disso: - Como nascem as propostas na nossa casa: [descrição] - Quem tem de contribuir internamente: [funções] - Perguntamos na primeira conversa pelo percurso de decisão? [sim/não] - Acordamos uma data no fim da conversa? [sim/não] Tarefas: 1. Calcula por troço a duração mediana e mostra que três troços consomem mais tempo. 2. Diz-me, em cada um desses três, se o tempo de espera está do nosso lado ou do lado do cliente. 3. Indica por troço a medida concreta com a melhor relação entre esforço e efeito. 4. Formula duas perguntas para a nossa primeira conversa: uma sobre o percurso de decisão, outra sobre a marcação da data no fim. 5. Indica que trabalho poderíamos tirar ao cliente para que a decisão interna dele corra mais depressa. Não inventes tempos. Onde faltarem dados, diz quais.
Conclusão
Meçam primeiro onde está o tempo – normalmente não onde se espera. Na maioria dos casos, as maiores rubricas estão dentro da vossa casa: entre o pedido e a reação, e entre a conversa e a proposta.
E a medida mais eficaz não custa nada: acordar no fim de cada conversa o passo seguinte com uma data. Todo o resto é alívio do cliente – não pressão sobre ele.
Perguntas frequentes
Como se encurta um ciclo de venda?
Medindo primeiro onde o tempo é de facto consumido: os tempos de espera entre os passos, não a duração total. Em regra, as maiores rubricas estão em casa: entre o pedido e a reação e entre a primeira conversa e a proposta.
Onde se perde mais tempo?
Quase sempre entre a primeira conversa e a proposta: muitas vezes uma a três semanas preenchidas com alinhamentos internos. O cliente não está inativo nesse período: recolhe propostas de comparação, e o interesse inicial perde urgência.
Qual é a medida isolada mais eficaz?
Acordar no fim de cada conversa o passo seguinte com uma data – não «depois dou notícias», mas um compromisso concreto para o contacto seguinte. Assim o compromisso fica nas duas agendas e ninguém precisa de fazer recontacto.
Ajuda fazer pressão?
Não, produz com regularidade o efeito contrário. Quem se sente pressionado evade-se, e uma resposta clara transforma-se num adiamento. O que encurta é o alívio: tirar ao cliente o trabalho que está entre ele e a decisão – um resumo reencaminhável, documentos contratuais já verificados, a resposta à pergunta do seu superior.
Que pergunta fazer na primeira conversa?
«Quem tem de dar o acordo do vosso lado, e como funciona?» A resposta mostra se uma decisão é possível em duas semanas ou em dois trimestres. Em ambos os casos é uma informação utilizável – ao contrário de uma suposição sobre a qual assentaria todo o planeamento.
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