Agência ou fazer por conta própria? Uma conta honesta

A comparação é quase sempre mal montada: honorário da agência contra zero, porque o tempo próprio não custa nada. Feita a conta com honestidade, o resultado desloca-se – mas nem sempre na direção esperada.

Duas estruturas luminosas de tamanho semelhante frente a frente, uma feita de muitas peças pequenas, outra de um bloco

O essencial

  • A comparação honesta contabiliza o tempo próprio – senão «fazer por conta própria» ganha sempre, independentemente da realidade.
  • Conduzir uma agência custa tempo: duas a seis horas por mês em alinhamento, aprovações e respostas a perguntas.
  • A linha divisória sensata não passa entre temas, passa entre frequências: o pontual externaliza-se, o recorrente fica em casa.
  • A estratégia e a definição do público-alvo não se externalizam – sem elas, até uma boa agência trabalha no vago.

Os dois caminhos funcionam. O que não funciona é decidir com base numa comparação em que só um dos lados tem custos.

A conta completa

RubricaPor conta própriaAgência
Honorário1.500–8.000/mês
Tempo de trabalho próprio20–60 h/mês2–6 h/mês
Familiarização, única40–100 h10–20 h (briefing, acessos)
Ferramentas e licenças50–300/mêsnormalmente incluídas
O conhecimento fica em casapor completoem parte ou nada
Custo da mudança1–3 meses de transição

A linha que decide é a segunda. Com um custo horário interno de 80, 30 horas por mês correspondem a 2.400 – e portanto ao honorário de uma agência pequena.

Sabia que…?

A linha «tempo de trabalho próprio» na variante da agência é quase sempre colocada a zero e situa-se de facto entre duas e seis horas por mês: escrever briefings, rever rascunhos, responder a perguntas, aprovar.

Esse tempo não é além disso delegável à vontade – recai sobre a pessoa que toma as decisões. É precisamente por isso que as relações com agências falham, com frequência acima da média, não pela qualidade do trabalho, mas por não haver em casa quem tivesse tempo para as conduzir.

A linha divisória certa

A repartição habitual é por temas: SEO fora, conteúdos dentro. Mais útil é a repartição por frequência.

Externalizar: pontual e especializado

Remodelação do site, instalação técnica, bases de design, uma gravação de vídeo, a configuração inicial das contas de publicidade.

Porquê: as tarefas de que se precisa uma vez não compensam a familiarização – e a qualidade depende aqui muito da experiência.

Em casa: recorrente e perto do cliente

Artigos técnicos, respostas a perguntas de clientes, recontactos, a manutenção corrente.

Porquê: este trabalho precisa de substância da empresa. Entregá-lo lá fora leva a conteúdos permutáveis – não por falta de capacidade, mas porque o conhecimento não está ali.

Nunca externalizar: estratégia e público-alvo

Quem são os vossos clientes, o que não oferecem, que posição defendem.

Porquê: uma agência pode moderar estas perguntas, não pode respondê-las. Sem resposta, trabalha no vago – e só se dá por isso ao fim de seis meses.

Misto: ofício com a vossa substância

Vocês fornecem números, casos e posição; lá fora transforma-se isso em texto, design, execução.

Porquê: a forma mais praticável para empresas pequenas – desde que forneçam a substância de facto.

Quando uma agência fica cara sem se notar

Atenção Três padrões tornam a colaboração antieconómica sem que o honorário mude.

Não há em casa um interlocutor com poder de decisão. Se cada aprovação demora três semanas, a agência trabalha em coisas há muito ultrapassadas – e fatura esse tempo à mesma.

Não há acesso à substância. Uma agência que nunca fala com os vossos clientes e não vê relatórios de projeto só pode ficar-se pelo genérico.

Não há um objetivo acordado. «Mais visibilidade» não é um objetivo. Sem um número para o qual ambos os lados olhem, ao fim de doze meses discutem-se sensações.

Da prática

O erro inicial mais fiável, nas duas direções, é o mesmo: decidir cedo de mais. Quem contrata uma agência antes de o público-alvo estar claro paga para que outra pessoa adivinhe. Quem começa sozinho sem ter tempo para isso passa três meses sem produzir nada terminado.

A melhor ordem é quase sempre: primeiro fazer por conta própria as quatro semanas de ouvir e definir – isso ninguém pode assumir por vocês –, e só depois decidir quem executa. Esta ordem custa um mês e evita a variante mais cara dos dois caminhos.

Como se reconhece uma agência adequada

Quatro características verificáveis logo na primeira conversa:

  1. Fazem mais perguntas do que respostas. Quem já propõe medidas na primeira conversa não percebeu a situação – ou está a vender algo pré-fabricado.
  2. Dizem o que não fazem. Uma agência que sabe fazer tudo não faz nada particularmente bem.
  3. Indicam resultados com números e condições. Não «triplicámos o tráfego», mas de onde para onde, em que período, em que setor.
  4. Explicam o que vocês próprios têm de fornecer. Quem diz «tratamos de tudo» ou não percebeu onde está a vossa substância, ou tenciona trabalhar sem ela.
Prompt
Faz-me a conta honesta sobre se devemos fazer marketing por conta
própria ou externalizar.

A nossa situação:
- O que oferecemos: [oferta]
- Pessoas que poderiam dedicar tempo: [número e função]
- Horas realisticamente disponíveis por mês: [número]
- Custo horário interno: [valor]
- Orçamento para serviços externos: [valor por mês]
- O que já está a funcionar hoje: [tópicos]
- O nosso público-alvo está definido por escrito? [sim / não]

Tarefas:
1. Confronta os dois caminhos com todas as rubricas – incluindo
   o tempo de trabalho próprio dos dois lados, a familiarização,
   as ferramentas e os custos de mudança.
2. Diz-me que tarefas, na nossa situação, pertencem a casa
   (recorrentes, perto do cliente) e quais devem ser
   externalizadas (pontuais, especializadas).
3. Se o nosso público-alvo não estiver definido por escrito:
   di-lo claramente e explica porque essa questão tem de ser
   esclarecida antes da decisão.
4. Indica as três condições em que uma colaboração com agência
   falharia no nosso caso.
5. Formula cinco perguntas que eu deva fazer na primeira
   conversa.

Não recomendes agências concretas.

Conclusão

A conta raramente dá o que se espera – porque falta o tempo próprio de um lado e o tempo de condução do outro. Quem inscrever ambos fica com uma base sólida.

A forma mais praticável para empresas pequenas é normalmente a mista: substância e estratégia em casa, ofício e trabalhos pontuais fora. E, em qualquer caso, primeiro as quatro semanas de ouvir e definir – essas ninguém pode assumir por vocês.

Perguntas frequentes

Compensa uma agência de marketing a empresas pequenas?

Para tarefas pontuais e especializadas quase sempre – remodelação do site, instalação técnica, bases de design. Para trabalho recorrente e perto do cliente, como artigos técnicos, raramente, porque para isso é precisa substância da própria empresa. Para a estratégia e a definição do público-alvo, nunca: uma agência pode moderar essas perguntas, não pode respondê-las.

Quanto custa uma agência de marketing?

Para acompanhamento corrente de empresas pequenas, os honorários situam-se tipicamente entre 1.500 e 8.000 por mês. A isso acrescem duas a seis horas de tempo próprio por mês para briefings, revisão e aprovações, mais dez a vinte horas únicas de familiarização.

Porque falham as relações com agências?

Normalmente por três coisas, e raramente pela qualidade técnica: não há em casa um interlocutor com poder de decisão e tempo, a agência não tem acesso à substância de conteúdo, ou nunca foi acordado um número para o qual ambos os lados olhem.

O que não se deve externalizar de forma alguma?

A definição do público-alvo, a decisão sobre o que não oferecem, e a posição que defendem tecnicamente. Sem essas respostas, mesmo uma boa agência trabalha no vago – e isso só se nota ao fim de cerca de seis meses.

Como se reconhece uma agência adequada?

Por quatro coisas na primeira conversa: faz mais perguntas do que respostas; diz o que não faz; indica resultados com valor de partida, período e setor em vez de multiplicações; e explica o que vocês próprios têm de fornecer. «Tratamos de tudo» é um sinal de alarme.

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